o mirante sem trilha

Mirante do Arvrão: a vista fácil e a festa do Vidigal

Chegue ao Mirante do Arvrão de moto-taxi para uma das melhores vistas do Vidigal, sem trilha longa, além do bar na laje e das noites de pagode.

Mirante do Arvrão: a vista fácil e a festa do Vidigal

Cinco minutos atrás você estava no pé do morro, entregando dez reais a um moto-taxista que já fez essa subida mil vezes. Agora você está no alto, e a Zona Sul inteira se descortina lá embaixo, a partir da laje do Mirante do Arvrão, no Vidigal. Ipanema à esquerda. Leblon logo à frente. O Dois Irmãos perto o bastante para acertar um limão nele. Você subiu de moto. Você não escalou.

O mirante que você não precisa conquistar

O Rio faz você suar pelas suas melhores vistas. O Dois Irmãos é uma hora de trilha íngreme mata adentro. A Pedra da Gávea é uma escalada de quatro horas, com um paredão de pedra vencido com ajuda de corrente perto do topo. O Corcovado tem fila, ingresso e van. A cidade distribui seus panoramas como uma avó severa distribui sobremesa — só depois que você fez por merecer.

O Mirante do Arvrão é a exceção. Um mirante existe por um único motivo: a vista. E este fica bem no alto do Vidigal, a favela que sobe a encosta entre o Leblon e o São Conrado. Você chega a ele com motor, não com panturrilha. Esse é o argumento inteiro, e é um bom argumento. O Mirante do Arvrão, no Vidigal, te entrega o tipo de vista para a qual as pessoas treinam, e não te pede nada além de uma curta corrida de moto-taxi e o preço de um drinque.

Ajuda saber onde você está se metendo, porque o lugar é três coisas ao mesmo tempo. É um pequeno hotel com oito suítes. É um bar e restaurante com uma feijoada que uma revista carioca já chamou de melhor da cidade. E é uma laje. A laje é o motivo pelo qual todo mundo sobe. Aqui em cima, a laje é o sentido inteiro da arquitetura. Todo o resto — os quartos, a cozinha, o som que ganha vida nos fins de semana — está disposto em torno daquela única plataforma plana debruçada sobre o topo do morro, sem nada entre ela e o mar além de ar.

As pessoas procuram este lugar como a alternativa acessível à subida a pé, e o enquadramento é justo. Se você quer o mirante do Vidigal sem trilha, a resposta é esta. Você não precisa de bota. Não precisa de água, de sair cedo e de guia. Precisa de um celular para chamar um Uber, um trocado para a moto, e cerca de uma hora da sua tarde. A recompensa é um panorama que, num dia limpo, rivaliza com qualquer um que você conquistaria na trilha ao lado.

Mirante do Arvrão, num relance

Levantado em 2026. Reais, não dólares. Os preços variam conforme a agenda de eventos, então trate-os como faixas.

R$10moto-taxi na subida (dinheiro)
8suítes com parede de vidro
R$25+ingresso típico de festa
2023Veja "melhor feijoada"
  • Endereço: Rua Armando de Almeida Lima 8, no alto do Vidigal.
  • Como chegar: Uber até a Praça do Vidigal, depois moto-taxi até o alto.
  • Três coisas em uma: hotel, bar e restaurante, e a laje.
  • Eventos (samba, pagode, feijoada, baile funk) vendidos pela Ingresse e pela Sympla.
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Mirante do Arvrão, como chegar — o manual do moto-taxi

Carros não sobem até o alto do Vidigal. As vielas são estreitas demais, íngremes demais e cheias de vida demais para um sedã encarar a subida, então o morro anda sobre duas rodas. Isso soa intimidador e não é. Chegar ao Mirante do Arvrão é uma das viagens mais simples que você fará no Rio, uma vez que você pega o jeito.

Comece embaixo. Pegue um Uber ou um 99 até a Praça do Vidigal, a pracinha onde a via principal encontra o pé do morro. Todo motorista da cidade conhece. A corrida de Ipanema ou do Leblon é curta e barata. De Copacabana, ainda menos de meia hora em trânsito normal. Os aplicativos te deixam na praça e não vão além, e está certo assim — é aqui que a rua se estreita e os moto-taxis assumem.

Na praça você verá uma fila de homens de colete parados ao lado de motos. São os moto-taxis, uma parte licenciada, organizada e cotidiana de como o Vidigal se move. Chegue, diga "Arvrão", e um deles vai acenar e te passar um capacete. A corrida até o alto custa cerca de R$10 e leva cinco ou seis minutos. Pague em dinheiro, de preferência com a nota já na mão antes de partir. Segure na alça atrás de você, não no motorista. Incline-se junto com a moto nas curvas, não contra ela. Depois pare de se preocupar e comece a olhar, porque a própria subida é metade do motivo de vir. Você passa por portas abertas e vitrines e crianças e cachorros e o cheiro do almoço de alguém, e o mar não para de aparecer entre as casas, mais perto da altura dos olhos a cada curva.

Há também as vans, compartilhadas e ainda mais baratas, que fazem a via principal num circuito. É como os moradores se deslocam, e servem bem, mas para uma primeira subida até o Mirante do Arvrão a moto é mais rápida e te deixa mais perto. Na hora de ir embora, o mesmo sistema funciona ao contrário: há sempre motoristas perto do alto, a descida custa outros R$10 mais ou menos, e à noite a própria equipe da casa te aponta um motorista se você pedir. Um bate-volta de moto-taxi até a melhor vista do bairro custa menos que uma cerveja num quiosque à beira-mar.

Uma palavra sobre o frio na barriga, porque todo mundo sente na primeira vez. O Vidigal é uma das comunidades mais tranquilas da Zona Sul e recebe visitantes há anos — os moto-taxistas, os bares e as pousadas dependem de gente subindo. Em 2026, o antigo modelo da UPP já se dissolveu em boa parte do Rio, e operações policiais ocasionais podem acontecer, como podem em muitas partes da cidade. A orientação honesta é simples. Venha de dia na sua primeira vez. Mantenha o celular no bolso durante a corrida. Leia o clima, e se um motorista ou um morador te disser que hoje não é o dia, acredite e volte outro dia. Numa tarde comum, nada disso vai passar pela sua cabeça depois da primeira curva. Para a conta detalhada de moto e van, o guia como se locomover no Vidigal cobre tudo.

Vidigal's houses stacked steeply up the hillside with the ocean and a beach visible far below
A subida que o moto-taxi faz por você, cinco ou seis minutos até o alto. ← o mar não para de aparecer entre as casas
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A vista da laje — o que você realmente vê

Pise na laje e a geografia se organiza rápido. Você está voltado mais ou menos para leste e para sul, para cima da água, com todo o arco do litoral da Zona Sul à sua frente. À esquerda, a longa curva de Ipanema e, mais perto, o Leblon, as duas praias que a maioria das pessoas imagina quando imagina o Rio. Bem à frente, o azul liso do Atlântico. E ali mesmo, quase acima da sua cabeça, os dois picos de granito do Dois Irmãos, tão perto que da laje você consegue ver a luz atravessar a rocha ao longo da tarde.

Vire os olhos para o outro lado e o litoral continua. Abaixo e à direita, a praia do São Conrado e sua fita de areia, as asas-delta descendo da Pedra Bonita para pousar nela, e o grande promontório cinza da Pedra da Gávea atrás. Num dia limpo, a vista se empilha em camadas: telhados, depois as próprias casas do Vidigal despencando em direção à água, depois as praias, depois o mar, depois as montanhas se dobrando rumo à Barra. É um panorama grande, largo e generoso, do tipo que faz as pessoas se calarem por um segundo quando chegam.

Voltada para
Leste e sul, sobre o mar e as praias da Zona Sul.
Você vê
Ipanema, Leblon, Dois Irmãos, São Conrado, Pedra da Gávea, o Atlântico aberto.
Melhor luz
Fim de tarde até o pôr do sol. A manhã é mais nítida, o entardecer é mais quente.
Altitude
Perto do alto da encosta do Vidigal, a algumas centenas de metros de altura.

Uma observação honesta, porque perguntam. Você não vai ver o Cristo Redentor desta laje. A estátua fica terra adentro, no Corcovado, atrás da linha da serra, e o Mirante do Arvrão olha para o outro lado, para o mar. Se você faz questão de enquadrar o Cristo e as praias na mesma foto, essa é a vista do cume do Dois Irmãos, que é um passeio diferente com um preço diferente em suor. O que você ganha aqui, em vez disso, é o panorama do oceano, as praias e o Dois Irmãos ao alcance da mão, o que não é uma vista menor. É apenas uma vista voltada para o mar.

O horário muda o caráter inteiro do lugar. Venha no começo da tarde e a luz é dura e nítida e a laje é tranquila, um punhado de pessoas cuidando de seus drinques e tirando fotos. Venha na hora dourada e tudo vira lava — o sol cai em direção à Pedra da Gávea, as praias passam de brancas a âmbar, os prédios atrás de você pegam fogo por vinte minutos, e a laje se enche de gente que veio exatamente por isso. Em 2026, a casa divulga um horário de visitação diurna limitado, mais ou menos no meio da tarde, e depois emenda na programação da noite, então a jogada esperta é chegar com luz do dia suficiente para ver o litoral e ficar enquanto a cor toma conta de tudo. Confira o Instagram deles ou mande um WhatsApp antes de ir, porque os horários variam conforme a agenda de eventos.

A trilha ao lado faz você merecer a vista com as pernas. Aqui em cima você a merece com uma nota de dez reais e o bom senso de chegar antes do sol. — o que dizemos a quem vem pela primeira vez e teme a subida
The ocean view looking out from the very top of Vidigal, South Zone beaches and open Atlantic in the distance
O panorama voltado para o mar do alto do Vidigal, praias à esquerda, mar aberto à frente. ← nenhum cume necessário

O bar, a feijoada e os quartos por trás da vista

A laje já bastaria por si só, mas o Mirante do Arvrão é um hotel de verdade e uma cozinha de verdade, não uma plataforma de observação com caixa registradora. O prédio foi projetado pelo arquiteto Hélio Pellegrino, que tratou a estrutura inteira como uma obra de arte, e não como uma caixa com janelas. Materiais reaproveitados, peças garimpadas, placas solares no telhado, um compromisso com a reciclagem incomum para uma pequena casa de morro. O resultado é um lugar que parece feito à mão, quarto por quarto, em vez de estampado num molde.

A comida é a parte que surpreende as pessoas. Isto não é aquela cozinha que cobra pela vista, o tipo de cardápio raso que se apoia no panorama e te cobra caro pelo privilégio. A feijoada daqui — aquele almoço lento de sábado que termina em soneca — foi eleita a melhor do Rio pela revista Veja em 2023, e a cozinha abraçou essa fama desde então. Além da feijoada, o cardápio vai de petiscos de bar a frutos do mar e massas, o tipo de variedade que permite vir para um único drinque ou se instalar por três horas. Peça uma caipirinha, peça a feijoada se for dia de feijoada, e coma com as praias abertas lá embaixo. Há poucos almoços melhores na cidade.

Depois há as oito suítes, para os viajantes que decidem que a vista vale acordar para ela. Cada quarto tem pelo menos uma parede de vidro, uma varanda e vista para o mar, junto com os confortos de sempre — ar-condicionado, Wi-Fi, TV a cabo. São reservadas em categorias que sobem junto com a vista, e esgotam nos grandes fins de semana de evento e no Réveillon, quando a laje vira um dos melhores lugares do Rio para ver os fogos sobre a água. Hospedar-se aqui é uma escolha bem específica: você troca o polimento de um hotel à beira-mar pela experiência singular de dormir no alto de uma favela com o litoral inteiro sob a sua janela. Tem gente que quer exatamente isso. Se um terraço privativo e uma cozinha completa soam melhor do que um quarto de hotel, essa é outra conversa, e é a que retomamos mais adiante.

A casa também financia projetos sociais no morro, devolvendo dinheiro à música e à educação das crianças da comunidade. Vale saber, porque isso dá outro sentido aos dez reais que você gasta na moto e aos cinquenta que você gasta no almoço. No Vidigal, o dinheiro do turista não some na matriz de uma rede. Ele circula, e uma parte dele volta para a comunidade que você veio conhecer.

A festa, decifrada

Os fins de semana são quando o Mirante do Arvrão deixa de ser um mirante e vira uma casa de shows. Eis o formato de uma noite de evento.

  • Música: noites de pagode, samba, roda de samba e baile funk, conforme a programação do fim de semana.
  • Horário: as festas costumam começar por volta das 16h, a atração principal entra depois das 20h, e pode ir até 1h.
  • Ingressos: vendidos com antecedência pela Ingresse e pela Sympla. Busque pelo nome da casa e a data.
  • Preço: as noites de balada e baile ficam mais ou menos entre R$25 e R$40; as tardes de feijoada com samba têm preço à parte. Compre com antecedência para as boas.
  • Dias de feijoada: a "Feijoada do Mirante" une a feijoada premiada ao samba ao vivo e à vista. É a tarde que virou a marca da casa.
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Pagode, samba e a festa do Mirante do Arvrão — fins de semana na laje

Pesquise "Mirante do Arvrão pagode" e você vai descobrir por que tantos cariocas conhecem este endereço. Numa tarde de dia de semana, a laje é um mirante tranquilo com um bar. Num fim de semana, ela vira uma das melhores festas da Zona Sul, e a vista passa a ser o pano de fundo dela, e não o evento principal.

A trilha sonora é sobretudo pagode e samba — a ponta quente, percussiva e de cantar junto da música brasileira, aquela que enche uma roda de samba e faz a laje inteira devolver os refrões em coro. Em algumas noites é um baile de verdade, com DJs e um público mais jovem. O ritmo de um evento é previsível quando você o conhece: abertura e a primeira banda por volta das quatro da tarde, o sol se pondo sobre a Pedra da Gávea enquanto a laje enche, a atração principal depois das oito, e a festa varando a noite com as luzes do Leblon e de Ipanema estendidas lá embaixo. Há poucos cenários melhores para música ao vivo em todo o Rio.

Os detalhes práticos importam, porque esses eventos esgotam. Os ingressos saem pela Ingresse e pela Sympla, as duas plataformas que o Rio usa para tudo, de teatro a baile funk. Busque pelo nome da casa mais a data, compre com antecedência qualquer coisa com atração conhecida, e tire um print do ingresso caso o sinal caia na subida. Os preços são gentis para padrões internacionais — muitas noites de balada e baile ficam na faixa de R$25 a R$40, com as tardes de feijoada cobradas à parte. Alguns eventos têm uma entrada solidária de "traga um quilo de alimento" junto com o ingresso pago. Nada disso vai furar o seu orçamento de viagem do jeito que um único bar de coquetéis em Ipanema conseguiria.

A etiqueta é simples e vale acertar. Esta é a casa de uma comunidade que trabalha, não um parque temático. Dance, compre bebidas, dê gorjeta no bar, filme a vista em vez dos moradores, e siga o clima do salão sobre onde a festa está e onde não está. Se você quer o mapa mais amplo de onde o morro sai à noite — as noites de reggae e funk do Alto Vidigal, os botecos, os bares de pôr do sol — o nosso guia de vida noturna do Vidigal cobre o circuito inteiro e como voltar para casa de cada um. Ficar hospedado aqui em cima tem uma vantagem óbvia sobre tudo isso: quando a festa acaba, a casa é uma curta corrida de moto ou uma descida a pé pela mesma rua, não uma correria atrás de um carro de volta para a Zona Sul.

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Arvrão ou Bar da Laje — as duas lajes da mesma rua

Você não consegue pesquisar sobre o Mirante do Arvrão sem esbarrar no Bar da Laje, e o motivo é a geografia. Os dois são bares-mirante perto do alto do Vidigal. Os dois ficam na mesma rua-espinha, a Rua Armando de Almeida Lima, a uma curta caminhada um do outro. Os dois te vendem uma caipirinha e um panorama. Quem vem pela primeira vez gasta muita energia tentando escolher entre eles, então aqui vai a comparação honesta.

Mirante do Arvrão

  • Hotel, restaurante e laje em um só. Você pode passar a noite.
  • Feijoada premiada e um cardápio de verdade, não só petiscos de bar.
  • Noites de samba, pagode e baile no fim de semana, com ingresso antecipado.
  • Vista voltada para o mar sobre Ipanema, Leblon, Dois Irmãos, São Conrado.
  • Mais tranquilo num dia de semana, uma festa completa no fim de semana.

Bar da Laje

  • Bar-mirante feito sob medida, com pegada de DJ e um ar polido.
  • Uma entrada ou couvert, recentemente por volta de R$50 a R$60.
  • Nome mais conhecido, mais cheio nos horários de pico do pôr do sol.
  • Vista ampla parecida, de um ângulo ligeiramente diferente.
  • Mais um cenário montado; menos uma sala de estar do bairro.

A versão curta. O Bar da Laje é a experiência mais famosa e mais produzida, e cobra uma entrada à altura. O Mirante do Arvrão é o que também funciona como hotel e casa de samba, onde a feijoada é um motivo genuíno para vir e as festas de fim de semana são a atração. Nenhum dos dois está errado. Numa primeira viagem com uma noite livre, a gente costuma indicar o Mirante do Arvrão para uma tarde de feijoada ou uma noite de evento, e o Bar da Laje para quem quer especificamente o bar de pôr do sol de cartão-postal, com um coquetel na mão, e não se incomoda com o couvert. Se você quer o detalhamento completo do vizinho mais famoso, o nosso guia do Bar da Laje traz o acesso, os valores e os horários.

Há uma terceira opção, e é aquela pela qual temos uma queda discreta. A melhor vista do Vidigal é a que você não precisa dividir, não precisa dar gorjeta por ela, nem deixar quando a cozinha fecha. Um terraço privativo na mesma encosta, voltado para as mesmas praias, com o seu próprio café de manhã e o seu próprio pôr do sol à noite, muda a equação inteira. Os bares valem a pena, uma ou duas vezes, pelo público e pela música. Mas o panorama que os bares vendem é o mesmo para o qual você pode acordar. É esse o argumento que fazemos pelo nosso próprio apartamento, e é a razão honesta pela qual achamos que uma estadia aqui em cima ganha de um bate-e-volta.

The Vidigal hillside community glowing warm at sunset above the sea
A hora para a qual a laje foi construída, quando o morro inteiro pega a última luz. ← é a hora em que você quer estar lá em cima
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Como fazer isso direito — um pequeno guia de campo

Tudo acima é contexto. Aqui está o que de fato faz uma tarde no Mirante do Arvrão dar certo, destilado de tê-lo feito mais vezes do que somos capazes de contar.

Acerte o horário pelo sol. A melhor jogada de todas é chegar cerca de uma hora antes do pôr do sol. Você pega a luz limpa para as fotos, vê a cor chegar sobre a Pedra da Gávea, e já está instalado com um drinque quando a laje enche. No verão do Rio, de dezembro a fevereiro, o sol se põe tarde, passando das 18h30. No inverno, de junho a agosto, é mais perto das 17h30 e o ar é mais seco e mais límpido, e é por isso que algumas das vistas mais nítidas do ano vêm na chamada baixa temporada.

Leve dinheiro e um agasalho. Os moto-taxis funcionam com dinheiro, então carregue notas pequenas — algumas de dez cobrem a subida, a descida e uma gorjeta. Cartão e Pix funcionam no bar para comida e bebida. E mesmo no verão, o alto do morro pega o vento do mar assim que o sol se põe, então um agasalho leve transforma uma noite um pouco fria numa noite confortável. dica Ponha o celular numa alça de pulso ou bem no fundo de um bolso com zíper para a corrida.

Combine com a trilha, se as pernas ajudarem. O início da trilha do Dois Irmãos também fica aqui em cima, e o dia clássico no Vidigal é subir a trilha na manhã mais fresca, descer, e se recompensar num bar-mirante à tarde. Se você quer a vista do cume, com o Cristo e a baía inteira, encare a subida; o nosso guia da trilha do Dois Irmãos traz os horários, o acesso de moto até o começo da trilha e o que levar. Se você quer a vista do mar com uma caipirinha e nada de suor, vá direto para a laje. Muita gente faz os dois no mesmo dia e diz que foi o melhor dia da viagem.

Resolva a logística miúda. Você não precisa do transporte público do Rio para chegar ao Mirante do Arvrão — um Uber até a praça e uma moto até o alto são a viagem inteira. Se você pretende pegar ônibus municipais em outros pontos do Rio, saiba que, em 2026, a rede da cidade funciona com o novo cartão Jaé, um sistema de aproximação com tarifa em torno de R$4,70, mas para este passeio isso é irrelevante. E se esta é a sua primeira viagem ao Brasil, resolva a papelada de entrada antes de embarcar: cidadãos dos EUA, do Canadá e da Austrália precisam de um eVisa do Brasil desde 2025, atualmente por cerca de US$ 80,90 e válido por até dez anos.

A sacada que a maioria deixa passar

Vá numa tarde de feijoada, não só num pôr do sol.

  • Uma sessão de feijoada com samba de fim de semana te dá a comida, a música e a vista numa tacada só, começando geralmente no meio da tarde.
  • Você chega com fome às 14h ou 15h, come a melhor feijoada do Rio, e já está lá em cima quando a luz fica dourada.
  • Compre o ingresso com antecedência na Ingresse ou na Sympla para não ser barrado na porta num dia cheio.
  • Depois deixe o samba te levar noite adentro. Uma viagem, três experiências, uma corrida de moto de dez reais em cada sentido.
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Para quem é, e quem deveria pular

O Mirante do Arvrão não é para todo mundo, e é melhor dizer isso com franqueza do que vendê-lo ao viajante errado. É a escolha certa se você quer um mirante genuíno do Vidigal sem trilha, se você gosta da ideia de uma festa com vista em vez de uma plataforma de observação silenciosa, e se uma corrida de moto-taxi por uma viela de favela soa como aventura, e não como preocupação. Ele recompensa quem se entrega ao lugar — quem senta com o samba, pede a comida, dá gorjeta no bar, e deixa a tarde se esticar.

É a escolha errada se você não pode subir o morro de moto, porque não há rota de carro confortável até o alto e a subida a pé é de fato íngreme. É a escolha errada se você precisa do Cristo Redentor na sua foto, que é uma foto do Dois Irmãos ou do Corcovado, não esta. E é a escolha errada numa noite de fim de semana se você quer sossego, porque a laje que é um mirante tranquilo às três da tarde é uma festa de pagode lotada lá pelas dez. Ajuste o horário ao que você realmente quer. Um pôr do sol de dia de semana para a calma. Uma tarde de fim de semana para a experiência inteira.

Para a maioria dos visitantes, porém, esta é uma das vitórias mais fáceis do Rio. Pouco dinheiro, pouco esforço, uma vista pela qual as pessoas atravessam oceanos, e uma trilha sonora que a maioria dos turistas nunca encontra. Ela responde à pergunta que todo estreante acaba fazendo — como eu vejo esta cidade do alto sem uma trilha de quatro horas ou uma fila de ônibus de excursão — e responde com uma moto, uma laje e um prato de feijoada. Essa é uma boa resposta. É, honestamente, um dos melhores luxos baratos que a cidade tem.

Perguntas rápidas.

Como eu chego ao Mirante do Arvrão?

Pegue um Uber ou 99 até a Praça do Vidigal, a praça no pé do morro. De lá, um moto-taxi licenciado te leva ao alto por cerca de R$10 em dinheiro — é só dizer "Arvrão". Carros não conseguem fazer a subida, então a moto é o caminho para cima. A viagem inteira de Ipanema ou do Leblon leva bem menos de meia hora.

Tem entrada paga?

Para uma passada casual durante o dia e um drinque, em geral não há couvert formal, embora você pague pelo que consumir. Para os eventos de samba, pagode e baile funk de fim de semana, você compra um ingresso com antecedência pela Ingresse ou pela Sympla, normalmente na faixa de R$25 a R$40. As tardes de feijoada têm preço à parte. Isso é diferente do vizinho Bar da Laje, que vem cobrando uma entrada de cerca de R$50 a R$60.

Precisa fazer trilha para chegar?

Não. É esse o apelo inteiro. O Mirante do Arvrão é o mirante do Vidigal sem trilha — um moto-taxi te leva ao alto em cinco ou seis minutos. Se você quer a vista mais difícil e mais alta do cume, com o Cristo Redentor no quadro, essa é a trilha do Dois Irmãos, à parte, que começa na mesma região mas leva de 40 a 60 minutos de caminhada íngreme em cada sentido.

O que dá para ver da laje?

Um amplo panorama voltado para o mar: as praias de Ipanema e do Leblon à esquerda, os dois picos do Dois Irmãos quase acima da cabeça, a praia do São Conrado e a Pedra da Gávea à direita, e o Atlântico aberto bem à frente. Você não vê o Cristo Redentor daqui, porque a laje é voltada para o mar e a estátua fica terra adentro, atrás da serra.

Quando são as noites de samba e pagode?

Na maioria das vezes, nos fins de semana. Os eventos costumam começar por volta das 16h, com a atração principal depois das 20h e a festa indo rumo à 1h. A sessão mais emblemática é a "Feijoada do Mirante", que une a feijoada premiada ao samba ao vivo na parte da tarde. Confira o Instagram ou o WhatsApp da casa para a programação atual, já que o calendário muda de uma semana para outra.

É seguro subir o Vidigal para isso?

O Vidigal é uma das comunidades mais tranquilas da Zona Sul do Rio e recebe visitantes há anos. Vá de dia na sua primeira vez, mantenha o celular no bolso durante a corrida, e siga a deixa dos motoristas e moradores. Operações policiais ocasionais podem acontecer, como em partes da cidade em geral, então vale uma checada rápida das condições locais no dia.

Dá para passar a noite no Mirante do Arvrão?

Sim. É um pequeno hotel com oito suítes, cada uma com uma parede de vidro, uma varanda e vista para o mar. Os quartos esgotam nos grandes fins de semana de evento e no Réveillon, quando a laje é um ponto de primeira para ver os fogos. Se você preferir ter um terraço privativo e uma cozinha completa só para você na mesma encosta, é isso que uma estadia particular no morro oferece em vez disso.

As melhores vistas do Rio geralmente te custam alguma coisa — uma hora de trilha, uma fila, o preço de um passeio, uma subida dura no sol. O Mirante do Arvrão, no Vidigal, é a rara que quase não custa nada e devolve quase tudo. Uma corrida curta, uma bebida gelada, a Zona Sul inteira aos seus pés, e, se você acertar o horário, samba tocando enquanto a luz fica dourada sobre a água. Você vai tirar a foto. E também vai, pela primeira vez, largar o celular e só olhar. É essa a parte que fica com você no voo de volta para casa.

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