Uma mulher se debruça sobre a mesa do quiosque em Ipanema e lhe oferece uma caipirinha que ela mesma preparou. Ela é simpática. O drinque é de graça. É exatamente esse o momento em que a maioria dos golpes contra turistas no Rio de Janeiro de fato começa — não num beco escuro, mas sob a luz clara da tarde, com um sorriso e um copo cheio. O Rio não está atrás de você. Ele recompensa o viajante que sabe ler o ambiente.
Leia o ambiente, não os boatos (a versão honesta)
Existe uma versão do Rio que vive na internet, e ela é mais assustadora do que a real. Pesquise "o Rio é seguro" e você vai encontrar uma enxurrada de histórias de pior cenário, quase todas escritas por gente que passou quatro dias aqui, perdeu um celular e nunca mais voltou. As histórias não são mentira. Só falta nelas a parte em que dois milhões de turistas por ano passam uma semana completamente sem incidentes, queimados de sol e com caipirinha demais, e voltam para casa numa boa.
Aqui vai um enquadramento útil. Os golpes contra turistas no Rio de Janeiro se dividem em duas famílias. A primeira é o crime patrimonial oportunista — um celular arrancado de cima da canga, uma bolsa tirada das costas da cadeira, um cordão puxado no sinal de trânsito. A segunda é o golpe de confiança — alguém usando a sua educação contra você, seja um falso policial, uma bebida dopada ou uma maquininha configurada para roubar você às claras. Quase nada em nenhuma das duas listas envolve violência aleatória contra um estranho. Quase tudo se previne com comportamento, não com medo.
Escrevemos isto do oitavo andar de um prédio perto do alto do Vidigal, a favela no morro acima do Leblon. Recebemos hóspedes aqui há anos, fomos buscá-los na base do morro, subimos com eles e respondemos às mesmas perguntas nervosas no carro que vem do aeroporto. O próprio Vidigal é um dos lugares mais tranquilos para se estar como visitante nesta cidade, o que surpreende quem espera o contrário. Se você quer a versão da conversa sobre segurança específica do bairro, mantemos uma bem honesta no nosso texto o Vidigal é seguro. Este artigo é a lente mais ampla: os golpes que estão em ação na cidade inteira agora e como fazer as malas e se vestir para deixar de ser o alvo óbvio.
Nada do que vem a seguir tem a intenção de assustar você. A ideia é tornar você sem graça aos olhos de um ladrão. Sem graça é o objetivo. Quem é sem graça continua com o próprio celular.
As cinco regras que evitam noventa por cento dos casos
Se você não ler mais nada, leia isto. Tudo abaixo é o detalhamento destas regras.
- Nunca aceite um drinque que você não viu ser preparado ou aberto.
- A polícia de verdade não exige inspecionar a sua carteira ou o seu dinheiro na rua.
- Em qualquer maquininha, pague em reais, nunca em dólares, e confira o valor antes de aproximar o cartão.
- Defina um limite diário baixo no caixa eletrônico e um limite de Pix baixo no aplicativo do seu banco antes de embarcar.
- Leve uma bolsa transversal fina na frente do corpo. Mantenha o celular dentro dela, não na mão.
Os golpes que vale conhecer pelo nome
Dê nome a uma coisa e ela perde metade do poder. Aqui estão os golpes mais comuns no Rio de Janeiro que de fato miram visitantes em 2026, descritos sem rodeios, com o sinal que entrega cada um. A maioria compartilha um único traço: precisam que você fique educado, atrapalhado ou ganancioso por um instante a mais do que devia. Recupere esse instante e o golpe desmorona.
A falsa abordagem policial
- Como funciona
- Uma pessoa à paisana mostra um distintivo por um instante, diz "polícia" e pede para checar a sua carteira, o seu dinheiro ou o seu celular "por uma questão de segurança."
- O sinal
- Policiais de verdade usam farda e carros identificados. Ninguém legítimo precisa segurar o seu dinheiro para inspecioná-lo.
- O que fazer
- mantenha a calma Peça para ir à delegacia. Ofereça-se para caminhar juntos até o posto policial mais próximo. Não entregue dinheiro nem o seu celular desbloqueado.
Esse golpe se aproveita do reflexo de obedecer a um distintivo. Você não precisa obedecer. Uma abordagem genuína da Polícia Militar tem farda, veículo identificado e um pedido para ver a sua identificação, não para embolsá-la. Se alguém de camisa polo está pressionando você a mostrar a carteira numa esquina de Copacabana, você está sendo enrolado. Mantenha as mãos nos seus próprios pertences, continue falando e vá se deslocando na direção de uma loja, do porteiro de um hotel ou de uma multidão. O golpe precisa de privacidade. Negue isso a ele.
O aperto do Pix e o sequestro relâmpago
O Pix é o sistema de transferência bancária instantânea do Brasil, e é genuinamente maravilhoso — você vai usá-lo para tudo, de uma cerveja na praia ao seu moto-táxi. Ele também é o motor por trás do roubo que mais cresce no país. Num assalto na rua, os ladrões agora exigem que você abra o aplicativo do banco e transfira o seu saldo por Pix na hora. Ao contrário de um caixa eletrônico, uma transferência por Pix não tem teto diário naquele momento, então o valor que eles podem forçar só é limitado pelo que você definiu de antemão. Há também o sequestro relâmpago, em que a pessoa é levada de carro a uma série de caixas eletrônicos para sacar o máximo diário antes de ser solta. As tentativas cresceram ao longo de 2025 e o episódio médio dura cerca de noventa minutos.
A defesa é sem graça e total. Antes de sair de casa, abra o aplicativo do seu banco e defina o menor limite de Pix diurno e noturno que ele permitir. Defina também um teto baixo de saque no caixa eletrônico. Mantenha as suas economias de verdade numa segunda conta que o aplicativo do seu celular não alcança. Se algum dia você for assaltado, você coopera, fica quieto e entrega um celular que simplesmente não consegue movimentar muito dinheiro. O ladrão leva o salário ruim de uma noite. Você pega o voo de volta para casa.
A trapaça da maquininha e o golpe do DCC
As máquinas de cartão brasileiras — a maquininha — vão até a sua mesa. Isso é prático e também é onde moram dois golpes. O primeiro é a conversão dinâmica de moeda: a tela oferece cobrar "na sua moeda de origem", o que parece prestativo e esconde uma taxa de câmbio péssima somada a uma tarifa. Escolha sempre reais. O segundo é o próprio valor. Dê uma olhada no número na tela antes de aproximar o cartão ou digitar a senha, porque um zero perdido transforma R$ 45 em R$ 450 e "opa" é difícil de argumentar num segundo idioma. Mantenha o seu cartão sempre à sua vista. Nos caixas eletrônicos, use as máquinas dentro de uma agência bancária no horário comercial, balance com firmeza a entrada do cartão antes de inseri-lo (um leitor solto é um chupa-cabra) e cubra o teclado com a outra mão.
Boa Noite Cinderela e o resto da noite
O golpe mais assustador também é o mais evitável. O Boa Noite Cinderela é a prática de dopar um drinque ou um petisco com um sedativo e depois roubar a vítima quando ela apaga. As drogas variam, mas a escopolamina e agentes nocauteadores parecidos produzem perda total de memória e controle motor zero, que é exatamente por isso que os ladrões gostam delas. A Embaixada dos EUA no Brasil emitiu um alerta específico sobre isso no início de 2025, e houve casos amplamente noticiados ao longo do ano envolvendo turistas nas praias da Zona Sul e em áreas de vida noturna. É raro em relação ao número de pessoas que saem para beber toda noite. Também é devastador quando acontece, então as regras são rígidas.
Nunca aceite um drinque, uma bala ou um pedaço de comida de alguém que você acabou de conhecer, por mais charmoso que seja e por mais ensolarada que esteja a praia. Veja a sua caipirinha ser preparada ou a sua cerveja ser aberta. Mantenha uma mão no copo e não o deixe sobre a mesa enquanto dança. A montagem clássica é um estranho simpático, muitas vezes agindo em dupla, que insiste em pagar para você. Simpatia não é prova de segurança. Muitas vezes é o mecanismo de entrega.
A versão dos aplicativos de namoro é a que pega quem viaja sozinho desprevenido. Um match sugere se encontrar num bar tranquilo ou, pior, num endereço particular. Não vá. Primeiros encontros acontecem em lugares públicos movimentados, de dia ou no começo da noite, com um amigo ou o seu anfitrião sabendo onde você está. Se a pessoa for real e adorável, vai entender. Se resistir com força a um encontro público, você já tem a sua resposta. Para os detalhes de como se locomover depois do anoitecer, quando caminhar e quando pegar um moto-táxi, aprofundamos em é seguro andar pelo Vidigal à noite.
Dois golpes noturnos menores fecham a lista. O golpe do falso taxista é o "táxi" não oficial parado na porta da balada que faz o caminho mais longo até uma corrida salgada, ou coisa pior. Use o aplicativo — Uber ou 99 — para que a rota e o motorista fiquem registrados. E fique atento ao estranho prestativo no caixa eletrônico que se oferece para "ajudar" um turista confuso e decora a senha. Você nunca precisa de ajuda num caixa eletrônico. Se precisar, entre no banco.
Um drinque de graça oferecido por um estranho é a coisa mais cara do cardápio. Pague o seu. Custa quatro dólares e é o seguro mais barato do Rio. — o que dizemos a cada hóspede na primeira noite
Como não parecer o alvo óbvio
Ladrões são eficientes. Eles varrem a multidão em busca do retorno mais fácil e seguem em frente. Todo o jogo de como não parecer um turista no Rio não é sobre enganar ninguém e fazer acreditar que você é carioca — a sua queimadura de sol se encarrega disso. É sobre não anunciar que ali tem dinheiro. O que significa deixar os sinais disso no hotel.
Comece pelas joias. O relógio de ouro, o anel de noivado, o cordão, os óculos de grife na correntinha: tudo isso denuncia valor de longe, e nada disso combina com uma praia ou um ônibus. Os próprios cariocas não usam suas peças boas na areia. Deixe-as trancadas. O seu celular é o outro chamariz. O roubo de celular é o crime mais comum que afeta os visitantes aqui, geralmente um arranca-e-corre feito por um moleque a pé ou por um passageiro na garupa de uma moto, e acontece mais rápido quando o celular está na sua mão numa esquina ou balançando enquanto você fotografa a vista.
O código de vestimenta é genuinamente fácil, porque o do Rio é descontraído. Os homens vivem de sunga ou bermuda e uma camiseta lisa. As mulheres usam biquíni por baixo de um vestido leve ou de shorts. Todo mundo usa Havaianas. Uma camisa de linho solta, uma regata de algodão, cores discretas e sandálias de borracha vão deixar você invisível do melhor jeito. Dispense a estampa havaiana, a pochete por cima da roupa, a DSLR gigante no pescoço e a mochila nas costas, onde você não vê sendo aberta. Uma bolsa transversal fina usada na frente do corpo é a melhor decisão de bolsa que você vai tomar.
Depois há a questão de o que vestir numa favela como o Vidigal, que é um pequeno tema à parte. O morro é íngreme, as vielas são irregulares e metade dele é escada. Chinelo serve para a via principal e para a ida à praia, mas se você vai subir até um mirante ou voltar para casa tarde, um calçado fechado com aderência salva os seus tornozelos e a sua dignidade. Vista-se com discrição e naturalidade. Você é um convidado numa comunidade residencial, não num set de filmagem, e o jeito mais rápido de ser tratado com carinho aqui é circular como se pertencesse ao lugar, sem fazer barulho e sem uma câmera apontada para a porta da casa de alguém.
Leve na mala
- Bolsa transversal fina, usada na frente do corpo.
- Um celular barato e desbloqueado para a praia e as noites fora.
- Calçado fechado com aderência, para o morro.
- Havaianas, uma sunga ou biquíni, algodão e linho leves.
- Uma fotocópia do passaporte, guardada separada do original.
- Protetor solar que não agride os corais. O sol aqui não negocia.
Deixe em casa
- O relógio bom, as joias finas, o anelzão de casamento.
- Logos de grife da cabeça aos pés.
- A DSLR volumosa que você pendura no pescoço.
- Uma mochila cujos zíperes você não consegue ver.
- Todos os cartões de crédito de uma vez. Traga um, deixe outro no cofre.
- O instinto de discutir com um assaltante. São só objetos.
O kit para o Rio, refinado ao longo de muitas idas ao aeroporto
O que levar na mala para o Rio de Janeiro, reduzido ao que realmente merece o seu lugar na bagagem.
- O celular isca. Um Android de R$ 400 com WhatsApp, Uber e o seu mapa off-line. Se ele sumir de cima da canga, você dá de ombros.
- Um cartão, um reserva. Um cartão de débito de viagem com limites baixos predefinidos para o uso diário. Um segundo cartão dorme no cofre do apartamento.
- Dinheiro, pouco e dividido. Cerca de R$ 100 para o dia, um pouco no bolso, um pouco na bolsa, nunca tudo numa carteira que você exibe.
- Calçado com aderência e uma peça leve. O morro é íngreme e os terraços na cobertura ficam ventosos depois do anoitecer.
- Uma bolsa transversal com zíper. Não uma sacola, não uma bolsa de praia aberta. Algo que fecha e fica na frente do corpo.
Dinheiro, celulares e o que levar todo dia
A maioria das tardes ruins no Rio é, na verdade, só um objeto errado num bolso errado. Acerte o dinheiro e o celular e o resto é praia. Aqui está a rotina que seguimos e recomendamos, dia após dia.
Leve pouco dinheiro e nada além disso. Cerca de R$ 100 cobrem um dia de cervejas no quiosque, um pastel, um moto-táxi e um suco, e se tudo sumir você perdeu um almoço, não as férias. Divida a quantia para que ela não fique toda numa carteira só. Saque dinheiro em caixas eletrônicos dentro de uma agência bancária, à luz do dia, de preferência os dos grandes bancos como Banco do Brasil, Bradesco, Itaú ou Santander, e nunca de uma máquina solitária numa loja de conveniência, onde um chupa-cabra pode ficar semanas. O Brasil hoje funciona em grande parte sem dinheiro em espécie, então você vai aproximar um cartão ou usar o Pix para quase tudo, que é justamente por que os limites predefinidos importam tanto.
- Dinheiro por dia
- R$ R$ 100 é de sobra para um dia normal no Vidigal.
- Regra do caixa
- Dentro de uma agência bancária, à luz do dia, com o teclado coberto.
- Limite do Pix
- dica Defina baixo em casa. Este é o seu teto se for assaltado.
- Celular de praia
- O barato. O seu celular bom fica no cofre.
A estratégia do celular barato parece paranoia até a primeira vez que você vê o iPhone de alguém desaparecer de cima de uma canga em Ipanema nos dois segundos em que a pessoa se virou para o mar. Um segundo aparelho, descartável, para a praia e para as noites fora é o R$ 400 mais bem gasto da sua viagem. Instale nele o WhatsApp, o Uber, o 99 e um mapa off-line, mantenha-o na sua bolsa transversal e só o tire quando você tiver parado de andar e saído do fluxo. Em qualquer celular, ative o recurso de localizar e apagar antes de pousar, para que um aparelho roubado possa ser apagado do seu notebook no instante em que sumir.
Mais um hábito, fácil de criar: não fotografe nada de aparência valiosa em movimento. O furto clássico é o turista parado numa esquina, celular erguido, enquadrando as montanhas, alheio à moto que diminui a velocidade atrás dele. Pare. Chegue até uma parede ou até a porta de uma loja. Faça a foto com as costas protegidas. Depois guarde o celular antes de voltar a andar. Custa três segundos e retira você inteiramente da categoria de vítima.
~~~O Vidigal tem as próprias regras
Ficar no morro em vez de num hotel à beira-mar muda a matemática da segurança de formas que vale a pena entender. Dentro do Vidigal, o crime de rua contra moradores e hóspedes é incomum, em parte porque a comunidade é pequena, todo mundo se conhece e a ordem social é própria dali. Os pontos de atrito são diferentes dos da Zona Sul, e depois que você os aprende o lugar parece mais tranquilo do que os bairros de cartão-postal lá embaixo.
A etiqueta é simples e tem a ver com respeito. Não fotografe pessoas sem pedir, e nunca fotografe nada que pareça envolver a estrutura de segurança local ou qualquer pessoa que possa estar armada. Aponte a câmera para a vista, os murais, o mar e o seu próprio grupo, não para portas e rostos. Diga bom dia para as pessoas por quem você passa. Compre a sua cerveja e o seu açaí nas lojas do morro para que o seu dinheiro circule onde você está dormindo. Circule em silêncio de madrugada. Esta é a casa de alguém, e tratá-la assim é a coisa certa e a coisa segura ao mesmo tempo.
Circular dentro do Vidigal significa o moto-táxi, a espinha dorsal barata e um pouco emocionante do morro. Uma corrida subindo a via principal custa cerca de R$ 10 em 2026, e o pulo curto até o início da trilha do Dois Irmãos fica em torno de R$ 5. Segure firme, confie no motorista e use-o à vontade depois do anoitecer, quando você não quiser subir os trechos íngremes sozinho. Quando você se hospeda no nosso apartamento, nós vamos ao seu encontro na base do morro e subimos com você da primeira vez, o que elimina qualquer incerteza da chegada e significa que você tem um número local no celular desde o primeiro minuto.
A ressalva honesta são as operações policiais. O Vidigal foi pacificado sob o programa da UPP lá em 2012, atraiu uma onda de atenção de celebridades e desde então se acomodou num normal mais tranquilo e menos policiado. Operações ainda acontecem de vez em quando e sem aviso. Em abril de 2026, uma ação policial na comunidade deixou algumas centenas de trilheiros presos por um tempo na trilha do Dois Irmãos durante um tiroteio, que terminou com prisões e sem feridos relatados, mas virou notícia internacional por um dia. Esses eventos são raros, geralmente curtos, e quase nunca têm turistas como alvo. A regra é simples: se você ouvir sons prolongados parecidos com fogos de artifício ou o clima na rua mudar, entre, fique fora da trilha naquele dia e pergunte ao seu anfitrião o que está acontecendo. Passa. E então o morro volta a ser a varanda mais tranquila do Rio.
O plano de trinta segundos para um mau momento
Você quase certamente nunca vai precisar disto. Ainda assim, leia uma vez, para virar memória muscular.
- Coopere, não resista. Entregue o celular e o dinheiro. Bens são substituíveis e têm seguro. Você não.
- Depois disque 190 para a polícia assim que estiver seguro. Para atendimento em inglês, a polícia de turismo (DEAT) fica na Av. Humberto de Campos, no Leblon, e mantém uma linha 24 horas.
- Congele o dinheiro. Abra o aplicativo do banco no seu aparelho reserva, bloqueie o cartão e confirme que o seu limite de Pix se manteve.
- Apague o celular remotamente pelo seu notebook, depois registre o boletim de ocorrência que você vai precisar para o seguro e para um novo chip.
- Avise o seu anfitrião. Um local que conhece o bairro consegue encurtar cada um desses passos.
Antes de pousar: a papelada de 2026
Algumas coisas práticas mudaram recentemente, e acertá-las ainda em casa elimina a maior parte do estresse da chegada que deixa as pessoas descuidadas nas primeiras horas de jet lag. Esta é a metade burocrática de se manter seguro.
Primeiro, o visto. A partir de 2026, portadores de passaporte dos EUA, do Canadá e da Austrália precisam do eVisa do Brasil, restabelecido em abril de 2025 depois de anos de entrada sem visto. Ele custa cerca de US$ 80, é válido por até dez anos com múltiplas entradas, permite estadias de até noventa dias e é solicitado inteiramente on-line. Deixe pelo menos dez dias úteis antes de embarcar, porque não há visto na chegada para recorrer. Verifique as regras da sua própria nacionalidade, pois elas variam. Mantemos o checklist completo de pré-viagem, incluindo chips de celular, Pix e dinheiro, no nosso guia o essencial para chegar ao Brasil.
Segundo, a locomoção. O Rio lançou o cartão Jaé, o novo sistema eletrônico de bilhetagem da cidade para os ônibus municipais, o BRT e o VLT. Você pode pedir um cartão físico ou usá-lo como cartão virtual no aplicativo, e o cadastro é gratuito, com uma pequena taxa se você quiser recebê-lo pelo correio. O metrô é mais fácil ainda: você aproxima um cartão de crédito ou débito por aproximação direto na catraca. Para o passo a passo completo de aproximar, recarregar e o pulo rápido até Ipanema, veja como se locomover pelo Rio a partir do Vidigal.
Terceiro, conectividade e dinheiro, resolvidos antes de você precisar deles. Compre um eSIM para pousar já conectado e nunca ter que ficar parado numa esquina se atrapalhando com um mapa de papel. Defina aqueles limites bancários que não paramos de mencionar. Ative a função de localizar o celular. Fotografe o seu passaporte e mande por e-mail para você mesmo. Tire um print do endereço do seu prédio e do WhatsApp do seu anfitrião para poder mostrar a um motorista sem desbloquear um celular reluzente num sinal de trânsito. Dez minutos disso na mesa da sua cozinha valem mais do que qualquer quantidade de vigilância no local.
Faça tudo isso e você chega como o viajante calmo, tranquilo, relaxado até demais, que simplesmente não vale o trabalho. O que, no fim, é toda a arte da coisa.
Perguntas rápidas.
Quais são os golpes mais comuns no Rio de Janeiro agora?
Os golpes mais comuns no Rio de Janeiro que miram visitantes são a dopagem de bebidas (Boa Noite Cinderela), o roubo por Pix e o sequestro relâmpago, em que você é forçado a transferir dinheiro ou passar em caixas eletrônicos, os falsos "policiais" à paisana que querem inspecionar a sua carteira e as trapaças de maquininha, incluindo a conversão dinâmica de moeda. Quase todos são evitados com limites bancários baixos, vigiando o seu próprio drinque e não carregando objetos de valor.
O que devo vestir para não parecer um turista?
Mantenha simples e leve: uma sunga ou bermuda, um biquíni por baixo de um vestido simples, cores discretas e Havaianas. Deixe as joias, os relógios e os logos em casa, leve uma bolsa transversal fina na frente do corpo e coloque na mala um calçado fechado com aderência para o morro do Vidigal. O objetivo de como não parecer um turista no Rio é simplesmente não anunciar valor.
É seguro usar caixas eletrônicos e cartões no Rio?
Sim, com cuidado. Use caixas eletrônicos dentro de agências bancárias no horário comercial, balance a entrada do cartão para checar se há chupa-cabra e cubra o teclado. Nas maquininhas, pague sempre em reais, nunca na sua moeda de origem, e confira o valor antes de aproximar o cartão. Defina um limite de saque diário baixo e um limite de Pix baixo no seu aplicativo antes de viajar.
O que faço se alguém tentar me assaltar?
Coopere. Entregue o celular e o dinheiro sem resistir, porque são só bens e podem ser repostos. Assim que estiver seguro, disque 190 para a polícia, ou procure a polícia de turismo que atende em inglês (DEAT) no Leblon, depois bloqueie os seus cartões e apague o celular remotamente. Avise o seu anfitrião, que pode ajudar com o boletim de ocorrência e um novo chip.
Ficar no Vidigal é mais perigoso do que um hotel à beira-mar?
Não no sentido do dia a dia que a maioria imagina. O crime de rua contra hóspedes dentro do Vidigal é incomum porque a comunidade é pequena e se autorregula, e muita gente o acha mais tranquilo do que Copacabana. A única variável são as operações policiais ocasionais, geralmente breves, durante as quais você simplesmente fica dentro de casa e fora da trilha até passar.
Devo mesmo levar um segundo celular?
Se puder, sim. Um aparelho barato e desbloqueado para a praia e as noites fora faz com que um arranca-e-corre custe um almoço em vez de toda a sua vida digital. Mantenha o seu celular bom no cofre do apartamento, instale no isca o WhatsApp, o Uber, o 99 e um mapa off-line, e ative o apagamento remoto nos dois antes de pousar.
Preciso de visto e como me locomovo pela cidade em 2026?
A partir de 2026, viajantes dos EUA, do Canadá e da Austrália precisam do eVisa do Brasil, solicitado on-line com pelo menos dez dias úteis de antecedência, válido por até dez anos. Dentro da cidade, o metrô aceita a aproximação de um cartão sem contato, enquanto os ônibus, o BRT e o VLT funcionam com o novo cartão Jaé. No próprio Vidigal, o moto-táxi é o seu amigo, cerca de R$ 10 morro acima.
O Rio não é uma prova que você passa ou fracassa. É uma cidade que responde a como você se apresenta. Quase todos os golpes contra turistas no Rio de Janeiro simplesmente nunca chegam perto do viajante que anda como quem tem aonde ir, mantém as coisas reluzentes fora de vista, paga os próprios drinques e deixa um pouco de burocracia de pré-viagem carregar o peso. Faça isso, e a única coisa que vai seguir você para casa é a saudade — a vontade dolorida de voltar antes mesmo de ter partido.